TikTok sob Nova Direção nos EUA: O Que Realmente Muda?
A turbulência política em torno do TikTok nos Estados Unidos parece ter encontrado um novo capítulo. Com a **transferência de controle para novos donos, majoritariamente americanos**, a plataforma busca apaziguar preocupações de segurança nacional e de influência estrangeira, especialmente da China, que pairavam sobre seu poderoso algoritmo.
O cerne da polêmica sempre foi o algoritmo do TikTok, temido por congressistas americanos como uma ferramenta potencial de propaganda ou espionagem pelo governo chinês. A nova gestão promete uma **”reeducação” do algoritmo**, buscando garantir que a experiência dos usuários americanos permaneça global e que criadores locais continuem a ter alcance internacional.
No entanto, como aponta Jennifer Huddleston, do Instituto Cato de Washington, **dúvidas significativas persistem**. A interação da nova entidade americana com as versões globais do TikTok e a potencial influência do governo dos EUA sobre o algoritmo são pontos de interrogação que geram apreensão quanto à liberdade de expressão.
A complexa rede de investidores inclui nomes como Larry Ellison, cujos investimentos em mídia podem consolidar um poder considerável. Para criadores de conteúdo, cujo sustento depende intrinsecamente do funcionamento do algoritmo, a incerteza é palpável, com alguns já buscando refúgio em plataformas concorrentes.
O Legado de Trump e a Competição Crescente
O futuro do TikTok nos Estados Unidos esteve em risco, chegando a enfrentar a possibilidade de banimento. Embora Donald Trump tenha, de certa forma, intervindo para salvar a plataforma, o cenário competitivo se intensificou. Minda Smiley, analista da Emarketer, observa que o TikTok, apesar de sua popularidade, enfrenta **concorrência acirrada do Instagram Reels e YouTube Shorts**, que oferecem experiências similares e atraem anunciantes.
A Emarketer aponta que, embora o TikTok ainda lidere em tempo de uso nos EUA, essa vantagem está diminuindo, indicando um **desafio crescente em manter o engajamento dos usuários**. A nova estrutura, com maior participação americana, pode ter agradado a administração Trump, mas a satisfação dos congressistas que aprovaram a lei de proibição ainda é uma incógnita, segundo Andrew Selepak, professor da Universidade da Flórida.
Privacidade e Segurança Nacional em Xeque?
Apesar das mudanças, críticos como Kate Ruane, do Centro para a Democracia e Tecnologia, questionam os reais benefícios para a privacidade e segurança nacional. A ByteDance, antiga controladora, retém uma participação minoritária, mas a **supervisão exaustiva prometida pelo republicano John Moolenaar** indica que o escrutínio sobre o acordo será intenso.
O TikTok afirma que funções essenciais como e-commerce e marketing permanecerão ligadas à entidade global, o que levanta novas preocupações. Andrew Selepak questiona a viabilidade do e-commerce sem a coleta de dados de usuários americanos. Para Carl Tobias, da Faculdade de Direito da Universidade de Richmond, a ação de Trump pode ter **ignorado as intenções do Congresso em relação à segurança nacional**, deixando um rastro de incertezas sobre o verdadeiro impacto da nova gestão.