Parlamento Europeu em Rumo de Congelar Acordo Comercial com EUA em Resposta a Trump
A União Europeia está prestes a congelar o acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado. A decisão surge como uma retaliação às recentes ameaças do presidente americano, Donald Trump, que condicionou a manutenção do tratado à aceitação da compra da Groenlândia pelos EUA.
Líderes parlamentares europeus indicaram nesta terça-feira (20) que há um consenso entre os grupos políticos para a suspensão do acordo. A medida, que deve ser formalizada nesta quarta-feira (21), visa responder diretamente às declarações de Trump sobre a imposição de tarifas.
O presidente americano ameaçou aplicar uma tarifa de 10% sobre mercadorias de oito países europeus caso se oponham ao plano de aquisição da ilha. A medida, segundo Trump, entraria em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2026, com um aumento para 25% em 1º de junho de 2026.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a soberania da Groenlândia como “inviolável” e alertou que qualquer pressão ou tarifa entre os blocos seria um “erro estratégico”. A informação sobre o acordo para a votação formal foi divulgada pelo g1.
França Classifica Ações de Trump como “Chantagem”
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, descreveu a estratégia americana como “chantagem”. Segundo ele, as ameaças tarifárias estão sendo utilizadas para forçar “concessões injustificáveis”, e o país apoia a suspensão do acordo comercial.
Barrot destacou que a Comissão Europeia possui “instrumentos muito poderosos” para responder às ações de Washington. O acordo comercial, originalmente firmado em julho do ano passado, previa a imposição de tarifas de 15% pelos EUA sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a UE concordaria em reduzir algumas de suas taxas sobre importações americanas.
Congelamento do Acordo Abre Porta para Retaliações da UE
Caso o acordo seja efetivamente suspenso pelo Parlamento Europeu, a União Europeia poderá reavaliar a imposição de tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos. Essas tarifas poderiam chegar a 93 bilhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 580 bilhões, além de possíveis restrições de acesso de empresas americanas ao mercado europeu.
O tratado, que estava previsto para entrar em vigor entre março e abril deste ano após aprovação formal, agora enfrenta um futuro incerto. A decisão europeia reflete a crescente tensão nas relações transatlânticas, exacerbada pela ambição de Trump em adquirir a Groenlândia.
Groenlândia é Alvo Estratégico e Motivador de Tensão
A Groenlândia tem sido alvo de crescente interesse por parte de Donald Trump. A ilha ártica é considerada uma rota marítima estratégica para o comércio global e uma fonte potencial de exploração de matérias-primas críticas.
Além disso, Trump vê a Groenlândia como crucial para a construção do “Domo de Ouro”, um escudo antimísseis que ele deseja erguer para proteger os Estados Unidos. Ele expressou preocupação de que, caso os EUA não adquiram a ilha, a Rússia ou a China possam fazê-lo, o que ele considera inaceitável.
Países Europeus Reforçam Segurança e Apoio à Groenlândia
Em resposta às declarações de Trump, diversos países europeus anunciaram o reforço da segurança na região da Groenlândia. Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda emitiram um comunicado conjunto reafirmando seu compromisso com a defesa da ilha e o fortalecimento da segurança no Ártico, no âmbito da OTAN.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu. A crise diplomática também gerou protestos populares, com milhares de pessoas se manifestando na Groenlândia e em Copenhague contra a intenção de anexação territorial anunciada por Trump.