FMI prevê crescimento global de 3,3% em 2026 impulsionado por tecnologia, mas Brasil tem previsão reduzida
O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou projeções otimistas para a economia mundial em 2026, prevendo um crescimento de 3,3%. Este avanço é 0,2 ponto percentual superior à estimativa anterior e se deve, em grande parte, aos expressivos investimentos em tecnologia, com destaque para a inteligência artificial (IA).
Esses aportes tecnológicos têm sido fundamentais para mitigar os efeitos negativos de tensões comerciais e tarifas que impactaram o cenário econômico em 2025. A inteligência artificial, em particular, surge como um motor de produtividade e inovação, impulsionando setores e regiões específicas.
Contudo, o FMI adverte que esse crescimento global, embora positivo, apresenta concentração em poucos setores e áreas geográficas, o que pode aumentar a vulnerabilidade da economia mundial a choques inesperados. América do Norte e Ásia são as regiões que mais colhem os frutos desse avanço tecnológico.
No entanto, a realidade para a América Latina é distinta. A região deve registrar um crescimento de 2,2%, ligeiramente abaixo do esperado anteriormente. O FMI aponta que, apesar da adaptação às disputas comerciais, a instabilidade nas regras internacionais de comércio ainda representa riscos significativos para o desenvolvimento econômico.
Impacto da IA e Divergências Regionais
O otimismo com a inteligência artificial impulsiona mercados, mas o FMI ressalta que as expectativas de lucros e ganhos de produtividade precisam se concretizar para evitar correções nos mercados financeiros. Enquanto os Estados Unidos lideram os investimentos em IA, com projeção de crescimento de 2,4% em 2026, outras economias desenvolvidas, como a zona do euro (1,3%) e o Japão, mostram um ritmo mais lento.
Países emergentes como China e Índia, por outro lado, continuam a apresentar um crescimento relativamente sólido. Essa disparidade no avanço tecnológico e econômico entre as regiões destaca a complexidade do cenário global e a necessidade de políticas que promovam um desenvolvimento mais equitativo.
Brasil enfrenta desafios com juros altos e previsão de crescimento reduzida
Em contrapartida ao cenário global mais promissor, o Brasil teve sua previsão de crescimento para 2026 rebaixada pelo FMI para 1,6%. Essa redução de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior é atribuída principalmente à **política de juros altos** implementada para conter a inflação.
A taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, é a principal ferramenta do Banco Central do Brasil para combater as pressões inflacionárias. Embora necessária para a estabilidade de preços, essa política restritiva impacta o ritmo de expansão da economia no curto prazo.
Para 2025, a projeção de crescimento do Brasil foi levemente ajustada para cima, para 2,5%, e para 2027, espera-se um crescimento de 2,3%. O FMI avalia que o país ainda sente os efeitos do aperto monetário, limitando a expansão econômica, mesmo com uma melhora gradual prevista nos próximos anos.
Inflação Global em Desaceleração e Riscos Comerciais
Em um aspecto positivo, a inflação global tende a desacelerar, com previsão de queda de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026. Essa tendência sugere um alívio nas pressões de preços em escala mundial, o que pode favorecer o poder de compra e a estabilidade econômica.
Apesar da melhora nas projeções globais, o FMI mantém um alerta sobre os riscos ligados às políticas comerciais. A incerteza sobre futuras tarifas e disputas comerciais pode afetar mercados e investimentos, especialmente em economias mais expostas ao comércio internacional. Acordos pontuais, como os observados nos Estados Unidos com a China, oferecem alívio temporário, mas a volatilidade subjacente permanece como um ponto de atenção crucial para a sustentabilidade do crescimento econômico mundial.