Dólar cai 10% em 2025 influenciado por Trump, política do Fed e juros altos no Brasil: entenda o cenário e impactos para 2026

Dólar registra queda recorde em 2025 e deve seguir influenciado por políticas dos EUA e cenário econômico brasileiro em 2026

O ano de 2025 ficou marcado por uma forte desvalorização do dólar frente a várias moedas globais, com destaque para o real brasileiro, que valorizou-se mais de 10% frente à moeda norte-americana. Esse movimento representou a maior queda do dólar em quase uma década no país, influenciado por fatores políticos, econômicos e financeiros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Conforme informação divulgada pelo g1, o dólar iniciou o ano cotado a R$ 6,16 e terminou acumulando uma queda de 10,29%, superando recuos anteriores observados em 2016. Essa desvalorização global do dólar envolveu também moedas de países emergentes e desenvolvidos, como o euro, o iene japonês e o franco suíço.

Este cenário oferece uma análise aprofundada dos principais motivos por trás da queda do dólar em 2025 e quais efeitos a influência de Donald Trump, as decisões do Federal Reserve (Fed) e a política econômica brasileira exerceram no câmbio, além das expectativas para 2026.

A seguir, apresentamos os detalhes que explicam essa movimentação cambial e o que o mercado financeiro projeta para o futuro próximo.

Impacto das políticas de Donald Trump e incertezas internacionais

As políticas adotadas pelo presidente Donald Trump tiveram papel central na desvalorização do dólar em 2025. Após a eleição, o mercado esperava uma agenda fortemente conservadora e protecionista, como aumento de tarifas e cortes de impostos iniciais, mas essas medidas não se concretizaram imediatamente, o que enfraqueceu a moeda norte-americana durante o primeiro trimestre, segundo especialistas citados pelo g1.

Em abril, Trump implementou diversas tarifas sobre parceiros comerciais, provocando uma breve valorização do dólar. No entanto, o efeito foi passageiro, e a maior preocupação ficou com o impacto negativo nas relações comerciais e a ampliação da incerteza econômica americana. Investidores começaram a rever suas posições em dólar, aumentando a pressão de venda da moeda e colaborando para o aprofundamento da queda.

Outro fator que contribuiu para essa tendência foi o aumento das operações de hedge cambial, mecanismos usados por empresas e investidores para se proteger da volatilidade do câmbio. Com o dólar mais instável, a procura por essas proteções cresceu, o que paradoxalmente intensificou a queda do dólar, conforme análise do diretor de tesouraria do Banco Travelex, Marcos Weigt.

Decisões do Federal Reserve e suas consequências para o dólar e Brasil

O Federal Reserve teve destaque em 2025 por não realizar cortes nas taxas de juros com a intensidade e velocidade inicialmente esperadas. Embora tenha promovido três reduções ao longo do ano, o primeiro corte ocorreu apenas em setembro, reduzindo a taxa para o menor patamar desde 2022.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, fatores como um mercado de trabalho aquecido nos EUA elevaram os riscos inflacionários, obrigando o Fed a agir com cautela. Essa dinâmica fez com que juros americanos permanecessem relativamente altos por mais tempo, o que impactou o desempenho do dólar.

Juros menores nos EUA diminuem o retorno dos títulos considerados mais seguros, as Treasuries, incentivando investidores a buscar ativos mais rentáveis em mercados emergentes, com destaque para o Brasil. Isso beneficia diretamente a valorização do real e a bolsa brasileira.

Fatores internos no Brasil fortalecem o real e atraem investidores

Além dos aspectos internacionais, o real valorizou-se por fatores domésticos, especialmente a manutenção da taxa básica de juros em níveis elevados, a maior desde 2005. Essa alta atratividade das aplicações brasileiras ajuda a manter o fluxo de capital estrangeiro no país, sustentando a moeda local.

A postura do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também foi crucial. Seu compromisso em alcançar a meta de inflação de 3% e resistir às pressões políticas para a redução antecipada dos juros passou uma sinalização positiva para os investidores.

Quanto às contas públicas, apesar da preocupação inicial dos investidores no começo de 2025, houve sinais moderados de melhora, com projeções mais favoráveis para arrecadação e controle de despesas, segundo o Prisma Fiscal divulgado pelo Ministério da Fazenda. Esse maior equilíbrio nas expectativas contribuiu para a confiança no real.

Perspectivas para o dólar e real em 2026: incertezas e principais desafios

Para 2026, especialistas indicam que o câmbio continuará reagindo a fatores tanto externos quanto internos. No cenário global, persiste a dúvida sobre o ritmo da economia americana e o comportamento da política de juros, ainda sob influência das decisões do Fed e da possível nomeação de seu novo presidente, já que Jerome Powell encerra seu mandato em maio.

Internamente, o início esperado do ciclo de cortes dos juros pelo Banco Central e o ano eleitoral brasileiro são questões que podem alterar a percepção dos investidores. A prioridade será observar se o próximo governo estará alinhado a medidas que promovam superávit fiscal e estabilização da dívida pública, aspectos considerados cruciais para a manutenção da confiança no real.

Marcos Weigt acredita que o impacto das decisões do Fed será mais sensível até março, enquanto a partir de abril, o foco do mercado deverá se voltar para as eleições e o ajuste fiscal esperados para os anos seguintes, pontos que devem determinar o patamar do dólar e do real em 2026.

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