Acordo UE-Mercosul: Líderes da Europa e América do Sul Firmam Mega Zona de Livre Comércio Após 25 Anos de Negociações

UE e Mercosul selam acordo histórico para criar a maior área de livre comércio do mundo após mais de duas décadas de negociações.

Em um evento de grande significado para a cooperação internacional, líderes da União Europeia e do Mercosul assinaram um acordo comercial que consolida a criação da maior área de livre comércio do planeta. A assinatura ocorreu em Assunção, no Paraguai, após um processo de negociação que se estendeu por mais de 25 anos.

Este tratado ambicioso visa a integração de mercados, a significativa redução de tarifas alfandegárias e o estímulo ao fluxo de investimentos entre os dois blocos. A cerimônia contou com a presença de chefes de Estado e autoridades de ambos os lados, celebrando um momento que muitos descreveram como um feito histórico para o comércio global.

Apesar de não ter comparecido pessoalmente, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi amplamente citado por diversos líderes como uma figura essencial para a conclusão bem-sucedida das negociações. Sua participação e influência foram destacadas como cruciais para superar os impasses finais.

No entanto, o acordo ainda não está em vigor. Para que se torne efetivo, o texto precisa ser submetido e aprovado pelos parlamentos nacionais de todos os países membros do Mercosul e pelo Parlamento Europeu, um processo que se antecipa como desafiador e politicamente sensível, especialmente na Europa. Conforme informação divulgada pelas fontes, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul.

Um Novo Capítulo para o Comércio Global

O presidente paraguaio, Santiago Peña, anfitrião do evento e presidente pro tempore do Mercosul, definiu o tratado como um “feito histórico”. Ele enfatizou que o acordo envia uma mensagem clara em favor do comércio internacional, do diálogo e da cooperação, elementos cruciais em um mundo cada vez mais complexo. “Apostemos em um futuro com mais coragem, audácia e aprofundemos nossa União. Em um mundo complexo, UE e América do Sul devem se unir para mostrar um caminho diferente”, declarou Peña.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, reforçou a ideia de parceria, afirmando que os blocos escolheram “a parceria em vez do isolamento” e “o comércio justo em vez das tarifas”. Ela descreveu o documento como um símbolo de uma nova e produtiva parceria de longo prazo, com o objetivo de oferecer benefícios reais e tangíveis para cidadãos e empresas.

Desafios e Oportunidades da Ratificação

O acordo prevê a eliminação gradual de mais de 90% das tarifas de importação e exportação entre os blocos. Além disso, estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, visando integrar mercados e ampliar o fluxo de bens e investimentos. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, destacou a relevância do acordo em um cenário global de turbulências geopolíticas, reforçando o compromisso com o multilateralismo.

Por outro lado, o processo de ratificação apresenta obstáculos. Na União Europeia, o acordo necessita da aprovação do Parlamento Europeu e, potencialmente, dos parlamentos nacionais de seus Estados-membros. Alguns países, como França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia, expressaram resistência, temendo impactos negativos no setor agrícola, apesar do apoio de outras nações como Alemanha e Espanha.

O presidente da Argentina, Javier Milei, classificou o tratado como um ponto de partida e um dos feitos mais relevantes do Mercosul. Ele alertou para a necessidade de evitar mecanismos restritivos na fase de implementação que possam comprometer o espírito do acordo e seu impacto econômico. O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, destacou o fortalecimento institucional do país para se adequar ao bloco e a mensagem de cooperação que o acordo envia.

O Papel do Brasil e a Importância do Diálogo

O presidente Lula, embora ausente da cerimônia, foi reconhecido por seu papel fundamental na conclusão do acordo. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, representou o país no evento. Lula, em encontro prévio com Von der Leyen, descreveu a demora nas negociações como “25 anos de sofrimento e tentativa de acordo”, ressaltando o potencial do tratado em unir cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões.

A presidente da Comissão Europeia agradeceu publicamente a liderança do brasileiro, considerada essencial para a finalização do tratado. Ela enfatizou que a parceria vai além da dimensão econômica, compartilhando valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos, além de promover padrões elevados em direitos trabalhistas e defesa ambiental.

Próximos Passos e Expectativas

Após a assinatura, o acordo entra na fase de ratificação. Para o Mercosul, isso significa a aprovação pelos Congressos Nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Na União Europeia, o texto passará pelo Parlamento Europeu e, possivelmente, por parlamentos nacionais. É possível que partes do acordo, como a redução de taxas, sejam aplicadas provisoriamente antes da ratificação completa, antecipando alguns benefícios econômicos.

O sucesso final do acordo dependerá da capacidade de equilibrar os interesses divergentes, especialmente no que tange à agricultura europeia e às exigências ambientais. Para o Mercosul, o Brasil tem um papel central em demonstrar avanços em sustentabilidade e controle ambiental, facilitando a ratificação e o acesso ao mercado europeu.

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