Mercosul e União Europeia assinam acordo histórico após 25 anos de negociações, prometendo impulsionar o comércio e a integração global do Brasil.
Em um movimento significativo para a economia brasileira, o acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia foi finalmente assinado. O governo federal, através de uma nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e da Agricultura, celebrou a conquista, classificando-a como um passo crucial na estratégia de ampliar e diversificar mercados externos para os produtos nacionais.
A assinatura, ocorrida em Assunção, no Paraguai, representa mais do que a simples redução de tarifas. Para o Brasil, o acordo insere-se em uma política mais ampla de diversificação de exportações, com o objetivo claro de gerar mais empregos e aumentar a renda no país. A iniciativa busca integrar o Brasil de forma mais robusta nas cadeias produtivas globais.
O governo federal reforça que a parceria com a União Europeia é apenas uma parte de uma estratégia comercial ambiciosa. Desde 2023, o Brasil já concluiu negociações importantes com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), demonstrando um esforço contínuo para abrir novas fronteiras comerciais.
Essa visão estratégica se estende a outras regiões do mundo. Estão em andamento negociações com países como Emirados Árabes Unidos, Canadá e Vietnã, além de discussões para expandir o acordo de preferências tarifárias com a Índia. O Japão também figura como um parceiro estratégico, com um marco de parceria recém-estabelecido, conforme divulgado pelos ministérios envolvidos.
Uma Gigante Zona de Livre Comércio em Formação
A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia marca a criação da que é projetada para ser a maior zona de livre comércio do mundo. Após mais de duas décadas de negociações, o tratado visa integrar os mercados dos dois blocos, diminuir barreiras alfandegárias e, consequentemente, aumentar o fluxo de bens, serviços e investimentos entre a América do Sul e a Europa.
Dados da Comissão Europeia indicam a relevância do Brasil neste contexto, sendo responsável por mais de 82% das importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao continente europeu. Essa participação demonstra o potencial de crescimento e o impacto econômico do acordo para o país.
Benefícios Econômicos e Valores Compartilhados
O acordo prevê a redução e eventual eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, abrangendo mais de 90% do comércio total entre os blocos. Além das vantagens econômicas, como a ampliação do acesso a mercados e a redução de custos, o tratado também estabelece regras comuns em áreas cruciais como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Isso contribui para um ambiente de negócios mais previsível e seguro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, classificou a demora para a conclusão do acordo como um período de “25 anos de sofrimento e tentativa”. Ele ressaltou que o tratado une cerca de 720 milhões de pessoas e movimenta um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões. Lula enfatizou que a parceria vai além da dimensão econômica, promovendo o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos, além de buscar padrões elevados em direitos trabalhistas e na defesa do meio ambiente.
O Caminho para a Ratificação
Apesar da assinatura, o processo para que o acordo entre em vigor ainda não está concluído. O texto precisará ser ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos, tanto do Mercosul quanto da União Europeia. Este é um caminho que se antecipa longo e com potenciais desafios políticos, especialmente dentro da União Europeia, onde debates sobre os impactos do acordo são esperados.
A expectativa é que, uma vez ratificado, o acordo impulsione significativamente a integração comercial do Brasil com um dos maiores mercados do mundo, abrindo novas oportunidades para empresas brasileiras e fortalecendo a posição do país no cenário econômico global. A diversificação de mercados e a busca por acordos estratégicos continuam sendo pilares da política externa comercial brasileira.