Correios planejam novo empréstimo de R$ 8 bilhões em 2026 para superar crise financeira, diz presidente Emmanoel Rondon

Correios informam necessidade de R$ 8 bilhões adicionais em 2026 para reverter prejuízos e ajustar plano financeiro e operacional da empresa

Os Correios enfrentam um desafio financeiro que exige esforços imediatos para evitar prejuízos ainda maiores nos próximos anos. Com a crise que acumula 12 trimestres consecutivos de resultados negativos, a estatal contratou recentemente um empréstimo de R$ 12 bilhões, mas já projeta necessidade de mais recursos para 2026. A decisão faz parte de um plano mais amplo de reestruturação detalhado pelo presidente Emmanoel Rondon.

Nessa perspectiva, a empresa pretende encarar o cenário adotando medidas específicas para promover a volta à lucratividade a partir de 2027, exigindo ajustes e cortes significativos. Entre as soluções apontadas estão a venda de imóveis, redução de agências e implementação de um programa de demissão voluntária com redução esperada de funcionários em 18%.

O montante adicional que deverá ser captado, segundo o presidente, ainda será definido quanto à origem, podendo ocorrer por meio de novo empréstimo ou aporte do Tesouro Nacional, mecanismos que serão avaliados com cuidado para conter custos financeiros. As estratégias incluem também revisões no plano de saúde dos funcionários, que atualmente pesa nas despesas da estatal.

Esses dados e declarações foram revelados pelo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, durante entrevista em que explicou os detalhes do plano de reestruturação da empresa para os próximos anos.

Empréstimos recentes e próximos passos financeiros

Em setembro de 2024, os Correios firmaram financiamento de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. Segundo Rondon, R$ 10 bilhões desse valor já deveriam estar aportados até o final de setembro e o restante será recebido em janeiro de 2026. O acordo tem validade até 2040, inclui carência de três anos e conta com garantia da União, reduzindo risco para os bancos financiadores.

A intenção original era um empréstimo maior, de R$ 20 bilhões, mas foi recusada devido às altas taxas de juros exigidas. O presidente justificou que “o plano de reestruturação foi concebido com uma necessidade declarada de captação de recursos da ordem de R$ 20 bilhões” e que as ofertas recebidas apresentavam taxas elevadas demais para serem aceitas.

Além desse empréstimo já contratado, Rondon confirmou que os Correios precisarão capturar mais R$ 8 bilhões em 2026 para enfrentar a continuidade da crise e ajustar as finanças da empresa, ressaltando que a fonte desses recursos ainda será avaliada, podendo ser novo empréstimo ou aporte público.

Medidas de corte e reestruturação operacional

Como parte do plano para equilibrar as contas, a estatal pretende reduzir gastos em pelo menos R$ 2 bilhões com pessoal, por meio de um programa de demissão voluntária (PDV) que visa extinguir cerca de 15 mil vagas em até dois anos. Isso representa uma diminuição de 18% na folha de pagamento. O PDV é uma estratégia para incentivar funcionários a deixarem a empresa voluntariamente, reduzindo o impacto negativo das demissões em massa.

Adicionalmente, os Correios planejam vender aproximadamente R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais e fechar mil agências deficitárias, diminuindo sua rede de cerca de cinco mil pontos físicos. Outra ação significativa será a reformulação do plano de saúde dos funcionários, o Postal Saúde, que atualmente enfrenta sérias dificuldades financeiras e elevadas despesas para a empresa, com custos anuais estimados em R$ 500 milhões a serem reduzidos.

Desafios no modelo financeiro e queda nas receitas

O presidente Emmanoel Rondon reconheceu que o modelo econômico-financeiro dos Correios perdeu viabilidade diante das mudanças recentes no mercado e na legislação. Entre os motivos para a queda nas receitas está o programa “Remessa Conforme” do Ministério da Fazenda, que desde 2023 passou a taxar em 20% as importações até US$ 50, o que acabou por reduzir o volume de pacotes enviados e o monopólio dos Correios sobre a entrega de encomendas internacionais.

Conforme dados divulgados, as receitas da estatal caíram cerca de R$ 2 bilhões até setembro de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita total em 2024 ficou em R$ 18,9 bilhões, contra R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022, evidenciando queda contínua, o que torna urgente a necessidade de ajustes para recuperar a capacidade de investimento e lucro.

Rondon alertou que sem mudanças rápidas, os prejuízos podem chegar a R$ 23 bilhões em 2026, e a empresa planeja investimentos de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos de empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics para modernizar e descarbonizar suas operações e infraestrutura.

Postal Saúde e impacto na folha de benefícios

Outro ponto crítico destacado na reestruturação é o impacto do Postal Saúde, o plano de saúde dos funcionários dos Correios, que vem apresentando dificuldades financeiras graves. No relatório financeiro de 2024 da operadora, há riscos importantes relatados para a continuidade operacional, especialmente após a devolução de R$ 221 milhões aos Correios decorrente de uma transação frustrada.

O funcionamento do Postal Saúde depende diretamente do aporte financeiro da estatal para sua sustentabilidade. O custo elevado levou os Correios a interromperem sua participação regular, o que prejudicou o atendimento em algumas redes vinculadas. Em 2024, foram destinados cerca de R$ 2 bilhões a procedimentos médicos, evidenciando a dimensão desses gastos dentro da estrutura da empresa.

Este cenário reforça a necessidade urgente de reformulação completa do plano, alinhando a sustentabilidade financeira à manutenção do benefício para os funcionários.

As informações foram coletadas e detalhadas a partir da entrevista do presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, e documentos oficiais divulgados pela estatal em 2024.

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