Liquidação da CBSF (ex-Reag) pelo BC: Entenda o esquema de fraude no Banco Master e o papel de João Carlos Mansur

BC decreta liquidação da CBSF, antiga Reag, em meio a investigações de fraude no Banco Master

O Banco Central (BC) anunciou a liquidação extrajudicial da Companhia Brasileira de Securitização e Fomento (CBSF), anteriormente conhecida como Reag. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (14), foi motivada por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

A CBSF está entre as empresas investigadas em um suposto esquema de fraude envolvendo o Banco Master. Segundo o BC, a companhia se enquadra no segmento S4 de regulação prudencial, o que significa ser de pequeno porte e seguir regras simplificadas. Essa característica minimiza riscos ao sistema financeiro, pois a CBSF representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN.

O BC afirmou que continuará a tomar as medidas cabíveis para apurar a responsabilidade da CBSF no esquema, podendo aplicar sanções administrativas e comunicar às autoridades competentes. Os bens de controladores e ex-administradores da empresa já estão bloqueados por lei.

Com a liquidação, todas as operações da CBSF foram encerradas imediatamente. A medida afeta a instituição administradora, mas não os fundos de investimento geridos por ela. Esses fundos, que somam mais de 80, precisarão encontrar novas administradoras, conforme informado pelo BC.

O Grupo Reag e o envolvimento de João Carlos Mansur

A CBSF era controlada pelo Grupo Reag, um conglomerado financeiro independente que oferece produtos e serviços integrados. Uma das empresas proeminentes do grupo era a Reag Investimentos, fundada em 2013 por João Carlos Mansur, que se tornou uma das maiores gestoras independentes do país.

A Reag Investimentos chegou a administrar R$ 299 bilhões para diversos tipos de investidores e foi pioneira ao ter ações negociadas na bolsa brasileira. O Grupo Reag também administrava a Ciabrasf, outra holding independente que foi citada em investigações anteriores.

João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, é um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master. Esta não é a primeira vez que Mansur se envolve em controvérsias, tendo renunciado à presidência do conselho da Reag Investimentos após a empresa ser investigada em uma operação contra o PCC.

Operação Carbono Oculto e o uso de fundos para lavagem de dinheiro

Em agosto do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto, focada em desarticular um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, atribuído ao PCC. As investigações apontaram que o grupo sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos.

Para ocultar a origem dos recursos, o esquema utilizava uma estrutura financeira complexa, com o uso de fintechs e fundos de investimento. Estima-se que ao menos 40 fundos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, teriam sido controlados pela facção. A Reag Investimentos foi citada nas apurações como uma das empresas que teriam conhecimento das irregularidades e contribuído para ocultar movimentações financeiras.

O caso Banco Master e a Operação Compliance Zero

O Banco Master vinha operando sob risco de falência devido à emissão de CDBs com juros elevados e exposição a investimentos arriscados. Além disso, o banco era investigado por uma possível fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB, no valor de R$ 12,2 bilhões.

Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master. No mesmo dia, o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero. A segunda fase da operação, deflagrada nesta quarta-feira, cumpriu mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, além de ações em endereços ligados a Vorcaro e outros investigados.

A investigação identificou um esquema de captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal dos envolvidos. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, com bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, além da apreensão de bens de luxo.

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