Alckmin minimiza impacto de sanções dos EUA ao Irã no comércio brasileiro e destaca relações comerciais reduzidas com o país do Oriente Médio.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, expressou nesta quinta-feira (15) que uma eventual sanção dos Estados Unidos contra países que mantêm relações comerciais com o Irã não deve afetar significativamente o mercado brasileiro. A declaração surge em meio à escalada de tensões entre os EUA e o Irã, com o presidente americano Donald Trump sinalizando a intenção de impor punições, como sobretaxas, a nações que negociarem com Teerã.
A medida, ainda não formalizada pelo governo dos Estados Unidos, visa conter o programa nuclear iraniano e interferir em protestos internos no país. No entanto, Alckmin ressaltou que o volume de negócios entre Brasil e Irã é considerado pequeno, o que mitiga os riscos de um impacto expressivo na economia nacional. Ele enfatizou que o Brasil não possui litígios com nenhuma nação e que tarifas comerciais poderiam ter um efeito mais contundente em outras economias, incluindo grandes potências europeias.
Alckmin também destacou a incerteza sobre os detalhes da proposta americana, como a porcentagem exata das tarifas e quais produtos seriam alvo. Ele mencionou que a maioria dos países mantém algum tipo de intercâmbio comercial com o Irã, e que a ausência de uma ordem executiva formal dificulta a precisão sobre como a medida será aplicada. O ministro reiterou que o Itamaraty, liderado pelo ministro Mauro Vieira, está tratando do assunto diplomaticamente.
Conforme informação divulgada pelo programa Bom Dia Ministro, Alckmin afirmou que o Brasil tem como prioridade a ampliação do comércio exterior e a redução de barreiras. Ele citou a proximidade da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia como um exemplo do esforço brasileiro em fortalecer laços comerciais globais. O governo brasileiro busca dialogar para evitar tributações que possam prejudicar o comércio internacional, não apenas para o Brasil, mas para o mundo, enquanto aguarda uma definição clara sobre as ações americanas em relação ao Irã.
Volume de exportações do agro brasileiro para o Irã em 2025 foi de US$ 2,9 bilhões.
Dados do Agrostat, banco de dados do Ministério da Agricultura, revelam que o Irã ocupou a 11ª posição entre os países que mais compraram produtos do agronegócio brasileiro em 2025. O país do Oriente Médio foi responsável por 1,73% das exportações totais do agro no ano passado, totalizando um valor de US$ 2,9 bilhões. Essa cifra coloca o Irã em um patamar semelhante ao de outros importantes clientes do agronegócio brasileiro, como Japão, Egito, Turquia, Indonésia, Índia e México.
Irã é um importante exportador mundial de ureia, fertilizante crucial para o agronegócio.
Em contrapartida, o Irã aparece na 42ª posição como fornecedor de produtos ligados ao agronegócio para o Brasil, segundo o Agrostat. Apesar da posição modesta nas importações brasileiras, o país é reconhecido como um **exportador mundial significativo de ureia**, um fertilizante de extrema importância para o setor agrícola, indicando a complexidade das relações comerciais que podem ser afetadas por eventuais sanções internacionais.
Tensões entre EUA e Irã se intensificam com protestos e preocupações nucleares.
O anúncio de Trump sobre as sanções ocorre em um contexto de crescente tensão entre Estados Unidos e Irã. Manifestações contra o regime iraniano têm ocorrido em diversas cidades do país, com relatos de centenas de mortos e milhares de presos, segundo organizações de direitos humanos. A Casa Branca também avalia propostas para conter o programa nuclear iraniano, tema que esteve no centro de conflitos anteriores, como a guerra entre Israel e Irã em junho de 2024.
Brasil busca ampliar comércio exterior e reduzir barreiras, priorizando diálogo diplomático.
O governo brasileiro, através do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e em articulação com o Itamaraty, reafirma seu compromisso em **promover o comércio exterior e a redução de barreiras comerciais**. A atuação diplomática busca garantir a estabilidade e a previsibilidade nas relações comerciais internacionais, minimizando os efeitos de potenciais medidas protecionistas e focando na cooperação multilateral, como evidenciado pela iminente assinatura do acordo Mercosul-União Europeia.