Influenciadores: A Verdade Chocante Por Trás do Glamour, Metade Já Pensou em Desistir da Carreira

Metade dos influenciadores já cogitou abandonar a carreira, revela estudo global

A imagem idealizada de influenciadores digitais vivendo de publicidade e produtos gratuitos está cada vez mais distante da realidade. Um estudo global da ManyChat aponta que impressionantes 51% dos criadores de conteúdo já consideraram desistir da profissão nos últimos 12 meses. Os motivos, no entanto, vão muito além da falta de público ou interesse nas redes sociais.

O levantamento evidencia que a carreira, vista por muitos como sinônimo de liberdade, tem se tornado uma fonte de exaustão, sobrecarga e pressão constante pela presença online. Por trás de vídeos curtos e posts efêmeros, esconde-se uma carga de trabalho que, em muitos casos, ultrapassa a de empregos tradicionais, sem o devido reconhecimento profissional.

Essa dicotomia gera uma carreira repleta de paradoxos. O influenciador precisa estar sempre disponível, mas sem margem para erros. Deve buscar crescimento, sem perder a autenticidade. Precisa monetizar, sem parecer excessivamente comercial. E, acima de tudo, necessita descansar, mas teme desaparecer do radar digital.

A pesquisa, que entrevistou 1.000 criadores de conteúdo e 1.028 consumidores globais, com 95% de nível de confiança e margem de erro de 2%, foi divulgada pela ManyChat. Ela revela que, apesar do crescimento da economia dos criadores, o estigma de que a profissão não é um trabalho real persiste, com 31% dos criadores afirmando que as pessoas ainda não os veem como profissionais.

A Carga Invisível do Criador de Conteúdo

A percepção pública muitas vezes simplifica a atuação dos influenciadores, acreditando que tudo se resume a filmar e postar, sem demandar tempo ou conhecimento. No entanto, os dados da pesquisa mostram uma realidade diferente: 26% dos criadores apontam que a maior incompreensão é a de que a profissão é fácil, enquanto 19% lidam com a ideia de que não demanda muito tempo.

O estudo detalha que o planejamento, a gravação e a edição de conteúdo consomem, em média, quase 20 horas semanais. Essa carga horária não inclui tarefas administrativas, negociações com marcas, controle financeiro ou outros trabalhos paralelos que muitos influenciadores precisam conciliar para garantir sua subsistência.

Além disso, a interação com a audiência, que inclui responder comentários e mensagens diretas, pode demandar de 2 a 3 horas por semana. Para 5% dos criadores, a gestão dessa caixa de entrada já se assemelha a um trabalho em tempo integral, gerando uma pressão adicional para manter o engajamento e a relevância.

Baixa Remuneração e Falta de Reconhecimento Profissional

Apesar da intensa dedicação, a remuneração continua sendo um grande desafio. Quase três em cada quatro criadores ganham menos de US$ 10 mil por ano com seu trabalho. Apenas 10% conseguem ultrapassar os US$ 30 mil anuais. A principal fonte de receita ainda são os pagamentos das plataformas (39%), seguidos por parcerias com marcas (28%).

Entre os que consideraram desistir, a falta de crescimento (25%) e a insatisfatória remuneração (23%) despontam como os principais fatores. A perda de motivação (17%) e a rotina exaustiva (16%) também pesam na decisão.

Geração Z e a Pressão da Autonomia

A situação é ainda mais acentuada entre a Geração Z, onde 55% dos criadores já pensaram em abandonar a carreira. Para muitos jovens, a promessa de autonomia deu lugar a uma sensação constante de cobrança e vigilância, impactando diretamente o bem-estar mental.

O estudo aponta que uma em cada quatro pessoas se sente esgotada ou sobrecarregada após passar tempo nas redes. Mesmo com essa constatação, uma em cada 10 gostaria de fazer uma pausa, mas sente que isso é impossível, seja pelas demandas do trabalho ou pela dificuldade em se desconectar.

Inteligência Artificial: Novo Desafio para Criadores

Olhando para o futuro, a competição com conteúdo gerado por inteligência artificial (IA) surge como a principal preocupação para os criadores em 2026. A dificuldade de se destacar em feeds saturados, construir comunidades autênticas e garantir parcerias com marcas também são desafios relevantes.

Apesar das preocupações, muitos criadores já planejam utilizar IA para otimizar seu trabalho, desde o brainstorming de ideias até a edição. Contudo, o público ainda demonstra resistência, com 41% afirmando que não apoiariam um criador que se tornasse 100% IA, evidenciando a importância da conexão humana na criação de conteúdo.

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