TCU sobre Banco Master: Relator Jhonatan de Jesus diz que ‘não há conclusão formada’ antes de inspeção técnica no Banco Central

TCU inicia inspeção no Banco Central sobre liquidação do Banco Master, mas garante que análise técnica é crucial para qualquer conclusão.

O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou que a inspeção a ser realizada pela área técnica do TCU no Banco Central do Brasil (BC) sobre a liquidação do Banco Master ainda não possui uma conclusão definida.

A declaração foi dada em conversa com o blog, onde o ministro enfatizou a importância da verificação técnica dos fatos antes de qualquer julgamento.

“Não há conclusão formada antes da verificação técnica dos fatos”, ressaltou o ministro Jhonatan de Jesus, indicando que o processo está em andamento e depende da análise detalhada das informações.

A inspeção surge após o Ministério Público de Contas ter enviado, em dezembro de 2025, dois pedidos de diligência relacionados ao negócio entre o BRB e o Master, além das tratativas finais de liquidação. Essa solicitação foi acolhida pelo relator, que agora aguarda os resultados da auditoria. Conforme informação divulgada pelo jornalista, a área técnica do TCU deve iniciar as averiguações no Banco Central nesta semana, com base na resposta já enviada pela autoridade monetária sobre o histórico do processo que culminou na liquidação do banco em novembro.

Detalhes da inspeção e o papel do Banco Central

A inspeção do TCU no Banco Central visa esclarecer pontos como os indícios de problemas de liquidez do Banco Master já em 2024 e como ocorreu a decisão de liquidação, mesmo diante de uma proposta de aquisição pela Fictor, com o apoio de um fundo árabe. A resposta do Banco Central ao TCU servirá como guia para os técnicos do Tribunal.

O presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho, juntamente com Jhonatan de Jesus e outros integrantes do tribunal, se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na sede da autoridade monetária. Na ocasião, Vital do Rêgo afirmou que a inspeção no processo de liquidação do Banco Master traz “segurança jurídica” e que todo o processo deve durar menos de um mês.

O objetivo do encontro era conciliar o poder de fiscalização do TCU com a autonomia do BC, que inicialmente questionou a possibilidade de uma inspeção técnica em suas dependências. O ministro Vital do Rêgo considerou que faltavam informações para embasar as explicações do BC sobre a liquidação decretada em novembro.

Controvérsia e recuo do Banco Central

O Banco Central havia recorrido da decisão de inspeção, argumentando que o procedimento não poderia ser determinado por um único ministro, mas sim por deliberação do colegiado do TCU. Contudo, após a reunião, o BC desistiu do pedido.

O ministro Jhonatan de Jesus acolheu o pedido para levar a discussão sobre a inspeção ao plenário, mas expressou insatisfação com o questionamento do BC. Em um trecho do despacho, o ministro afirmou que, “sob o ângulo regimental, não procede à premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado”.

Jhonatan de Jesus também declarou que o recuo do BC ocorreu diante da “dimensão pública” que o caso ganhou, o que recomendou a submissão da controvérsia ao plenário do TCU para “estabilizar institucionalmente a matéria”.

Reações do setor bancário à liquidação do Banco Master

Antes mesmo da determinação da inspeção, as explicações solicitadas pelo ministro Jhonatan de Jesus sobre a liquidação do Banco Master já haviam gerado críticas por parte de instituições do setor bancário. Uma nota divulgada na imprensa destacou que “a solidez e a resiliência do setor bancário e a independência do regulador do sistema financeiro são um ativo e um patrimônio nacional”.

A mensagem enfatizou ainda que “a força do setor bancário se alicerça na força do regulador, que somente se sustenta com respeito, credibilidade e dignidade institucional, pilares que sempre forjaram a atuação do Banco Central brasileiro”. Essa manifestação reflete a preocupação do mercado com a estabilidade e a confiança no sistema financeiro nacional.

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