Greening: R$ 90 Milhões para Salvar Laranjas Brasileiras da Pior Praga Mundial em Nova Parceria Internacional
Um convênio inovador, com investimento de R$ 90 milhões, foi formalizado para intensificar a pesquisa e o desenvolvimento de estratégias de combate ao greening, a doença que assola a citricultura globalmente, com foco especial no Brasil. A iniciativa busca transferir tecnologia e promover a educação no setor, visando a sustentabilidade e a produtividade dos pomares de laranja.
A parceria público-privada deu origem ao Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA-Citros), sediado na Esalq, em Piracicaba (SP). Este centro congrega esforços científicos de universidades, fundações e órgãos governamentais de sete países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Austrália, totalizando 19 instituições e 76 departamentos científicos.
A assinatura do acordo, que aconteceu na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), contou com a presença de representantes da universidade, da Fapesp, do Fundecitrus, além de produtores e outros órgãos relevantes do setor. O objetivo é claro: desenvolver soluções aplicadas para erradicar ou mitigar os efeitos devastadores do greening.
Conforme informação divulgada pelo Fundecitrus, o greening, causado por uma bactéria transmitida pela cigarrinha-asiática (Diaphorina citri), é considerado a praga mais destrutiva para as plantações de laranja no Brasil e no mundo. Os sintomas incluem o amarelamento das folhas e o murchamento das flores, comprometendo severamente a produção.
Greening Atinge Limites Críticos em São Paulo
Um levantamento recente do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta que a região de Limeira (SP) é a mais afetada pelo greening em 2024, dentro do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais. A incidência da doença na região atingiu 79,38% dos pomares, um aumento em relação aos 73,87% registrados em 2023.
Essa alta incidência representa um prejuízo significativo para os produtores. Lucas Eduardo Boschiero, um citricultor da região, relatou que cerca de 80% de sua plantação de 100 mil laranjeiras foram afetadas pelo greening. Para suprir a demanda e manter seu negócio, ele tem buscado laranjas em outros estados, como Bahia, Minas, Sergipe e Goiás.
Impacto Direto nos Preços e na Economia
O avanço do greening tem um impacto direto nos preços das laranjas e do suco de laranja. O produtor Lucas Eduardo Boschiero explica que o preço da fruta para a indústria, que antes era de R$ 0,80 por quilo, subiu para R$ 2,00. Para a venda in natura em mercados, o valor saltou de R$ 1,00 para R$ 3,00 por quilo, refletindo o custo e a escassez da fruta de boa qualidade.
A situação afeta não apenas os produtores rurais, mas também o comércio. Elias Staiguer, dono de um restaurante, conta que precisou fechar uma antiga plantação de laranjas em sua propriedade devido ao greening. Agora, ele compra a fruta de outros produtores e mantém sua própria fábrica de sucos, demonstrando a adaptação do setor diante da crise.
Pesquisa e Colaboração Internacional como Caminho
O CPA-Citros, com sua rede global de instituições científicas, visa desenvolver e aplicar novas tecnologias para o controle do greening. A pesquisa abrangerá desde o estudo da bactéria e seus vetores até o desenvolvimento de novas variedades de citros mais resistentes e métodos de manejo integrado.
A expectativa é que os R$ 90 milhões investidos nos próximos cinco anos resultem em avanços significativos. Estes avanços não apenas protegerão a citricultura brasileira, um dos pilares da economia do país, mas também beneficiarão produtores em todo o mundo que enfrentam os mesmos desafios impostos pela praga do greening.
O Que é o Greening?
O greening é uma doença séria que afeta as plantas cítricas, causada pela bactéria ‘Candidatus Liberibacter asiaticus’. Ela é transmitida pelo inseto psilídeo Diaphorina citri, conhecido como cigarrinha-asiática. A doença foi detectada no Brasil pela primeira vez em 2004, e desde então, tem se espalhado rapidamente, tornando-se a maior ameaça à citricultura mundial, especialmente em São Paulo, o maior estado produtor de laranja do país.