Bancos Centrais Mundiais Apoiam Chair do Fed Contra Ameaças de Trump
O presidente dos Estados Unidos voltou a atacar o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, ameaçando recorrer à Justiça contra ele. Em resposta, dirigentes de alguns dos principais bancos centrais do mundo, incluindo o Brasil, divulgaram uma nota conjunta em apoio a Powell, defendendo a independência das instituições.
A manifestação de solidariedade visa reforçar a importância da autonomia dos bancos centrais para a manutenção da estabilidade econômica e financeira global. A ação conjunta é uma resposta direta às pressões políticas exercidas pelo governo americano sobre a política monetária dos EUA.
O comunicado conjunto destaca a integridade e o compromisso de Powell com o interesse público. A nota ressalta que a independência é um pilar fundamental para a confiança nos mercados e para o bem-estar da população, em linha com o que defendem instituições como o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra.
A investigação criminal aberta pelo governo Trump, com justificativa oficial na reforma da sede do Fed, é vista por Powell como um pretexto para aumentar a influência da Casa Branca sobre as decisões de juros. Conforme informação divulgada pelas fontes, o presidente do Fed esclareceu ao Congresso que as atualizações na infraestrutura eram necessárias e que os parlamentares foram devidamente informados.
Independência Bancária: Pilar da Estabilidade Econômica
A nota conjunta, assinada por presidentes de 12 instituições financeiras, incluindo o Banco Central do Brasil, liderado por Gabriel Galípolo, enfatiza que a independência dos bancos centrais é um elemento fundamental para assegurar a estabilidade econômica, financeira e de preços. O comunicado reafirma o respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática.
Os signatários declararam total solidariedade ao Federal Reserve e a seu chair, Jerome H. Powell. A mensagem é clara: a autonomia é essencial para que os bancos centrais sirvam aos cidadãos com base em análises técnicas e sem interferências políticas indevidas. A integridade de Powell em sua função foi especialmente destacada.
A Pressão de Trump Sobre a Política de Juros
Há meses, Donald Trump tem pressionado o Federal Reserve por cortes mais rápidos nas taxas de juros, buscando estimular a economia americana. O Fed, por outro lado, tem adotado uma postura mais cautelosa, o que gerou críticas públicas e ataques pessoais de Trump a Jerome Powell, a quem chamou de “burro” e “teimoso” em ocasiões anteriores.
As publicações de Trump nas redes sociais pediam cortes de juros significativos e expressavam o desejo de que o Congresso “acabasse com essa pessoa”. Essa pressão, segundo Powell, faz parte de um contexto mais amplo de tentativas de influenciar a política de juros do país, indo além da supervisão congressual.
Reforma da Sede do Fed Torna-se Ponto de Atrito
O episódio da reforma da sede do Federal Reserve, que envolve a modernização de uma infraestrutura antiga, tornou-se um novo foco de tensão. Integrantes do governo Trump questionaram os custos do projeto, descrevendo-o como excessivamente caro. Powell reiterou que as atualizações são necessárias.
O presidente do Fed argumenta que o tema da reforma foi instrumentalizado para justificar a crescente pressão política sobre a instituição. A ameaça de uma denúncia criminal, portanto, deve ser interpretada dentro desse cenário de tentativas de interferência na condução da política monetária americana.
Solidariedade Global em Defesa da Autonomia
A nota conjunta em apoio a Jerome Powell foi assinada por:
- Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu
- Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
- Erik Thedéen, presidente do Sveriges Riksbank
- Christian Kettel Thomsen, presidente do Conselho de Governadores do Danmarks Nationalbank
- Martin Schlegel, presidente do Conselho de Governadores do Banco Nacional da Suíça
- Ida Wolden Bache, presidente do Norges Bank
- Michele Bullock, presidente do Reserve Bank of Australia
- Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá
- Chang Yong Rhee, presidente do Banco da Coreia
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil
- François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Diretores do Banco de Compensações Internacionais
- Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais
A declaração conjunta ressalta que o chair Powell tem exercido sua função com integridade e foco em seu mandato, sendo um colega respeitado e reconhecido pela comunidade financeira internacional. A preservação da independência dos bancos centrais é vista como crucial para o interesse público global.