Com Selic em 15%, juros bancários disparam a 46,7% ao ano em novembro e atingem maior alta em 8 anos no crédito para pessoas físicas

Juros bancários sobem para 46,7% ao ano em novembro, refletindo alta da Selic e impacto direto nas dívidas das famílias brasileiras

Em novembro, a taxa média de juros cobrada pelos bancos em operações de crédito para pessoas físicas e empresas alcançou 46,7% ao ano, o maior patamar desde abril de 2017, quando estava em 48,3% ao ano, conforme informação divulgada pelo Banco Central (BC). A alta representa um avanço de 0,6 ponto percentual em relação a outubro e reflete o cenário de taxa Selic elevada, que se mantém em 15% ao ano, nível mais alto em quase 20 anos.

Esse incremento dos juros afeta diretamente o bolso das famílias brasileiras, que enfrentam aumento do endividamento e da inadimplência. A taxa média de inadimplência ficou em 3,8% em outubro, aproximando-se do recorde histórico de 4% registrado desde 2011. O endividamento das famílias com bancos chegou a 49,3% da renda acumulada em 12 meses até outubro, maior valor desde novembro de 2022, segundo o Banco Central.

Este contexto preocupante ressalta a pressão da alta da taxa Selic no custo dos empréstimos e financiamentos, causando impacto no crédito principalmente para pessoas físicas, cuja taxa média de juros subiu de 58,5% ao ano em outubro para 59,4% em novembro. Já as operações com empresas tiveram leve queda, de 25,1% para 24,5% ao ano no mesmo período.

Nas linhas de crédito mais caras, o cheque especial atingiu taxa média de 141,7% ao ano em novembro, enquanto o cartão de crédito rotativo permanece em patamar proibitivo, com 440,5% ao ano, apesar das restrições adotadas desde janeiro de 2024 para limitar os valores máximos da dívida. Essas condições elevadas dificultam a vida financeira dos consumidores e ampliam o risco de inadimplência, reforçando a necessidade de cautela nas decisões de crédito.

Impacto da Selic alta no aumento das taxas de juros para pessoas físicas e empresas

A taxa Selic, fixada pelo Banco Central com o objetivo de conter a inflação, está em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas. Essa elevação é repassada pelos bancos na forma de juros mais altos em operações de crédito, especialmente para pessoas físicas. Em novembro, a taxa média para esse segmento chegou a 59,4% ao ano, contra 24,5% ao ano para empresas.

Enquanto as taxas para pessoas jurídicas apresentaram queda, as tarifas para consumidores finais subiram, puxadas principalmente pelo aumento no cheque especial e no cartão de crédito rotativo. Esses produtos têm as maiores taxas do mercado, refletindo o custo elevado do crédito para quem não consegue pagar integralmente suas faturas.

Cheque especial e cartão de crédito rotativo mantêm taxa recorde mesmo com limites adotados pelo governo

O cheque especial teve sua taxa média elevada para 141,7% ao ano em novembro, aumento de 2,6 pontos percentuais em relação a outubro. Já o cartão de crédito rotativo manteve-se em nível excepcionalmente alto, com 440,5% ao ano, o que caracteriza um custo proibitivo para os consumidores.

Apesar do Conselho Monetário Nacional (CMN) ter implementado em janeiro de 2024 uma limitação para o valor total da dívida no cartão rotativo — que passou a não poder ultrapassar 100% da dívida original — o alto custo permanece. A tributação do IOF não está incluída nesse limite, o que ainda pesa sobre o custo final para os consumidores que não pagam suas faturas integralmente.

Volume de crédito cresce e endividamento das famílias atinge patamar preocupante

O volume total de crédito no mercado brasileiro subiu 0,9% em novembro, alcançando R$ 7 trilhões. No crédito para pessoas físicas, o saldo total chegou a R$ 4,4 trilhões, crescimento de 1,2% frente ao mês anterior. O destaque foi para o cartão de crédito total, com alta de 1,1%, e o financiamento para aquisição de veículos, com aumento de 2,3%.

No entanto, o cenário positivo no crescimento do crédito convive com a alta taxa de inadimplência e o aumento do endividamento das famílias. Segundo dados do Banco Central, a inadimplência nas operações de crédito com pessoas físicas se manteve em 4,7%, enquanto o endividamento das famílias atingiu 49,3% da renda acumulada em 12 meses até outubro, o maior nível desde novembro de 2022.

Recomendações para os consumidores diante dos juros elevados

Especialistas recomendam que os consumidores evitem recorrer ao cartão de crédito rotativo e ao cheque especial devido às taxas extremamente elevadas. O ideal é que os clientes paguem o valor total da fatura mensalmente para evitar o acúmulo de juros que podem agravar ainda mais a situação financeira.

Com a Selic mantida em patamares altos para conter a inflação, o custo do crédito tende a permanecer elevado, exigindo maior cautela na hora de assumir dívidas e planejando o orçamento para evitar inadimplência e o aumento do endividamento.

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