Dólar fecha em alta impulsionado pela política brasileira e ambiente internacional de cautela, com Ibovespa em leve alta nesta sexta-feira
O dólar registrou alta de 0,16%, encerrando o dia cotado a R$ 5,5438, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,27%, fechando aos 160.897 pontos.
O comportamento dos mercados nesta sexta-feira, 26 de dezembro, reflete a combinação do cenário político interno — marcado pela definição do nome indicado para as eleições presidenciais de 2026 — e a cautela nos mercados globais, influenciados por dados econômicos na China e tensões geopolíticas recentes.
No Brasil, o Banco Central divulgou queda de 6,6% nas concessões de crédito em novembro e fluxo cambial negativo em dezembro, dados que ajudam a compor o quadro econômico que pressiona o câmbio. Além disso, a confirmação de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência pelo pai, Jair Bolsonaro, movimenta o campo político e as expectativas do mercado.
Internacionalmente, o cenário é marcado por sanções chinesas contra empresas americanas do setor de defesa, ajustes na estimativa de PIB da China para 2024 e tensões entre Rússia e EUA na região do Caribe. Tudo isso afeta o sentimento dos investidores, conforme informações da Reuters.
Política no Brasil e impacto no mercado financeiro
A confirmação do ex-presidente Jair Bolsonaro, por meio de uma carta lida pelo senador Flávio Bolsonaro, de que o filho será o indicado do PL para disputar a Presidência em 2026, repercute fortemente. A decisão, tomada em meio à impossibilidade de Bolsonaro concorrer devido a condenações judiciais e cumprimento de pena, reduz o espaço para o governador Tarcísio de Freitas, nome mais bem visto pelo mercado.
Especialistas interpretam que essa indicação reforça a percepção de continuidade do atual governo, fator que tende a pressionar o câmbio para cima e limitar ganhos da bolsa, já que investidores apostam na estabilidade de políticas econômicas e sociais.
Dados econômicos mostram ajuste no crédito e impacto na atividade
O Banco Central revelou retração de 6,6% nas concessões de crédito em novembro na comparação com outubro. Este recuo foi puxado sobretudo pelos recursos direcionados, com queda de 14,3%, enquanto os recursos livres recuaram 5,6% no mesmo período.
Apesar do declínio das operações novas, o estoque total de crédito cresceu 0,9% no mês, atingindo R$ 6,972 trilhões. A inadimplência no crédito livre ficou em 5,0%, levemente abaixo de outubro, mas os juros médios cobrados subiram para 46,7% ao ano, refletindo aumento no spread bancário.
Cenário global: ajustes na China, sanções e tensão geopolítica
Na China, a revisão para baixo do PIB de 2024 para 134,8 trilhões de iuanes (US$ 19,23 trilhões) sinaliza expectativas mais moderadas para a economia chinesa, apesar da recuperação nos mercados acionários locais, que tiveram altas significativas. O índice de Xangai, por exemplo, registrou sua melhor sequência em dois meses.
Também repercutiram o anúncio de sanções chinesas contra 10 pessoas e 20 empresas dos EUA ligadas à defesa, incluindo uma unidade da Boeing, em resposta às vendas de armas americanas para Taiwan. Ademais, a Rússia intensificou acusações contra os Estados Unidos na região do Caribe, elevando o clima de tensão geopolítica global.
Mercados internacionais e perspectivas para os próximos dias
Enquanto as bolsas americanas fecharam em baixa marginal depois do feriado de Natal, com S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuando pouco, os mercados europeus permaneceram fechados. Na Ásia, além da China, outros mercados também fecharam em alta, impulsionados por expectativas de recuperação econômica e fortalecimento do iuan.
Com a divulgação de dados econômicos internos e movimentações políticas no Brasil, aliados ao cenário internacional de incertezas moderadas, o mercado deve seguir atento às notícias nos próximos dias, com impacto direto no câmbio e na bolsa paulista.