Acordo UE-Mercosul: Assinatura Histórica em Janeiro Cria Maior Zona de Livre Comércio do Mundo

União Europeia e Mercosul prestes a selar acordo histórico em janeiro, prometendo transformar o comércio global.

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina anunciou que o aguardado acordo entre a União Europeia e o Mercosul será assinado no dia 17 de janeiro. A concretização deste tratado marca o fim de mais de três décadas de negociações e tem o potencial de criar a maior zona de livre comércio do planeta.

A aprovação prévia pelos representantes da União Europeia, com uma ampla maioria dos Estados-membros, sinaliza um avanço significativo. O acordo, considerado o mais ambicioso entre os blocos, agora caminha para a assinatura oficial, embora ainda dependa da ratificação pelo Parlamento Europeu.

Este pacto comercial visa a redução e eventual eliminação de tarifas de importação e exportação, além de estabelecer regras comuns para comércio de bens, investimentos e padrões regulatórios. Para o Brasil, a expectativa é de ampliação do acesso a um mercado com cerca de 451 milhões de consumidores.

A notícia foi celebrada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que destacou o fortalecimento do multilateralismo, o estímulo a investimentos e o compromisso com a sustentabilidade. A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

Detalhamento do Acordo e Benefícios Esperados

O tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul prevê a eliminação gradual de tarifas, com estimativas apontando para a supressão de mais de 4 bilhões de euros anuais em impostos sobre as exportações da UE. O Mercosul deverá retirar taxas sobre 91% das exportações europeias em 15 anos, enquanto a UE removerá progressivamente tarifas sobre 92% das exportações do bloco sul-americano.

Além da redução tarifária, o acordo contempla a ampliação de cotas para produtos agrícolas isentos de impostos. A Comissão Europeia e apoiadores do tratado, como Alemanha e Espanha, veem o pacto como uma alternativa estratégica à dependência da China, especialmente no fornecimento de minerais críticos essenciais para novas tecnologias.

Para o Brasil, a maior economia do Mercosul, o acordo representa uma oportunidade de expansão para além do agronegócio, alcançando diversos segmentos industriais. Cerca de 30% dos exportadores brasileiros, o equivalente a aproximadamente 9 mil empresas, já vendem seus produtos para países da União Europeia.

Resistências e Apoios Cruciais no Bloco Europeu

Apesar do amplo apoio, o acordo enfrenta forte resistência de setores específicos na Europa, com destaque para agricultores, especialmente na França. O país, juntamente com Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia, votou contra a aprovação, enquanto a Bélgica se absteve. Para a aprovação, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, representando 65% da população total do bloco.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou a posição contrária de Paris, argumentando que os benefícios econômicos seriam limitados para o crescimento francês e europeu. Produtores rurais franceses e irlandeses temem a concorrência de produtos latino-americanos mais baratos e com padrões ambientais distintos.

A mudança de posição da Itália, que passou de contrária a favor do tratado, foi decisiva. A primeira-ministra Giorgia Meloni condicionou o apoio à consideração das preocupações italianas, especialmente sobre o setor agrícola. Uma comunicação da Comissão Europeia propondo a liberação de 45 bilhões de euros para agricultores foi vista como um passo positivo pela Itália.

Impacto Econômico e Geopolítico do Acordo UE-Mercosul

Defensores do acordo argumentam que ele pode mitigar os efeitos de medidas protecionistas, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos. A criação da maior zona de livre comércio do mundo visa também fortalecer o multilateralismo e promover um comércio mais regulado e previsível entre os blocos.

O vice-presidente Geraldo Alckmin enfatizou que o acordo é uma situação de ganha-ganha, prometendo produtos mais baratos e de melhor qualidade para os consumidores. Ele também destacou o compromisso do Brasil com o combate às mudanças climáticas, reforçando o pilar de sustentabilidade do tratado.

A expectativa é que, mesmo diante das oposições pontuais, o Parlamento Europeu aprove o tratado, consolidando uma nova era nas relações comerciais entre a Europa e a América do Sul. O acordo UE-Mercosul representa um marco significativo na integração econômica global.

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