Grok limita geração de imagens explícitas para assinantes após forte repercussão negativa.
A plataforma X, anteriormente conhecida como Twitter, decidiu restringir a capacidade de seu modelo de inteligência artificial, o Grok, de gerar imagens explícitas. A medida surge em resposta a uma enxurrada de nudez e outras criações controversas, que geraram indignação e críticas severas de governos e órgãos reguladores internacionais.
A decisão, que agora torna a criação desse tipo de conteúdo acessível apenas para usuários pagantes, foi recebida com ceticismo por autoridades europeias e pelo governo britânico. Eles argumentam que a limitação não resolve o problema fundamental, que é a própria permissão para a geração de material considerado ilegal e prejudicial.
A União Europeia chegou a impor uma medida cautelar ao X, exigindo a preservação de documentos internos relacionados ao Grok até 2026. Essa ação se soma a uma multa anterior de 120 milhões de euros por descumprimento da Lei de Serviços Digitais (DSA).
O caso destaca a crescente preocupação com o uso indevido de inteligência artificial na criação e disseminação de conteúdo. Conforme informações divulgadas pelo governo britânico e pela Comissão Europeia, a controvérsia em torno do Grok tem sido intensa, com pedidos por soluções urgentes para evitar a proliferação de imagens falsas e ofensivas, especialmente envolvendo menores.
Reino Unido critica a medida como um “serviço premium” para conteúdo ilegal
O governo do Reino Unido expressou forte desaprovação à decisão do X. Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, denunciou a iniciativa, afirmando que ela “simplesmente transforma um recurso que permite a criação de imagens ilegais em um serviço premium”. A declaração classificou a medida como “um insulto às vítimas de misoginia e violência sexual”, evidenciando a gravidade com que a situação tem sido tratada.
A ministra de Tecnologia do governo trabalhista, Liz Kendall, reforçou a posição, declarando que “o que vimos online nos últimos dias é absolutamente repugnante e inaceitável em qualquer sociedade que se preze”. O governo britânico havia instado o X a encontrar uma solução “urgente” para coibir a disseminação de imagens falsas e chocantes.
União Europeia considera a restrição insuficiente e mantém pressão
Em Bruxelas, a Comissão Europeia também se manifestou sobre as mudanças implementadas pelo Grok. Thomas Régnier, porta-voz para Assuntos Digitais, declarou que a entidade “tomou conhecimento das últimas alterações”, mas as considerou insuficientes. “Com ou sem assinatura paga, isso não muda nosso problema fundamental: simplesmente não queremos ver essas imagens”, afirmou.
A Comissão Europeia reitera seu pedido às plataformas para que garantam que seus sistemas não permitam a geração de conteúdo ilegal. Na quinta-feira anterior à notícia, a UE já havia anunciado a imposição de uma medida cautelar ao X, conhecida como “ordem de retenção”. Essa medida legal obriga a plataforma a “preservar todos os seus documentos internos relacionados ao Grok até o final de 2026”, segundo comunicado oficial.
Multa anterior e o contexto da Lei de Serviços Digitais (DSA)
A pressão regulatória sobre o X não é nova. No início de dezembro, a União Europeia já havia multado a plataforma em 120 milhões de euros por descumprir a Lei de Serviços Digitais (DSA). Essa legislação visa combater a disseminação de conteúdo ilegal e desinformação online, apesar das críticas de figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusa o bloco europeu de atacar gigantes tecnológicas americanas.
A multa e a medida cautelar em relação ao Grok reforçam a postura firme da UE em relação à responsabilidade das plataformas digitais na moderação de conteúdo e na prevenção de danos, especialmente quando se trata de material que pode ser usado para fins ilícitos ou prejudiciais.