Acordo UE-Mercosul: Vinhos, Medicamentos e Carros Mais Baratos? Entenda o Impacto no Seu Bolso

Acordo UE-Mercosul: Como a nova política comercial afetará os preços de produtos importados e o bolso dos brasileiros.

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia caminha para sua fase final. Essa parceria promete remodelar o fluxo de mercadorias entre os blocos e gerar impactos significativos no Brasil, atingindo tanto o dia a dia do consumidor quanto setores produtivos estratégicos.

A expectativa é de uma maior presença de produtos europeus no mercado brasileiro. Itens como vinhos, queijos e laticínios, que já possuem um espaço considerável, devem ter seus preços gradualmente reduzidos. Essa mudança é impulsionada pela eliminação progressiva das tarifas alfandegárias, um dos pilares do acordo.

Além de alimentos e bebidas, o setor automotivo também sentirá os efeitos. Carros importados da Europa, que hoje enfrentam uma taxa de 35%, terão essa alíquota zerada em um prazo de até 15 anos. Essa redução, embora gradual, tende a tornar os veículos europeus mais acessíveis aos consumidores brasileiros.

Conforme informações divulgadas pelo g1, a professora de Relações Internacionais da Unifesp, Regiane Bressan, destaca que o principal beneficiado tende a ser o consumidor final. “A integração em um acordo como esse tende a favorecer sobretudo os consumidores finais, que passam a ter acesso a produtos mais baratos. Isso ocorre dos dois lados”, afirma Bressan. O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores e representa cerca de 25% do PIB global, com estimativas do Ipea indicando que o Brasil pode ser o maior beneficiado, com um potencial de elevação do PIB nacional em 0,46% até 2040.

Itens do dia a dia com preços mais baixos

A redução de preços não se limita a vinhos e carros. Rodrigo Provazzi, CEO da Provazzi Consultoria, aponta que outros itens de supermercado, como azeite, chocolate e algumas bebidas destiladas, também podem apresentar queda nos valores. A expectativa é de que essa redução ocorra no médio e longo prazo, à medida que as tarifas alfandegárias sejam eliminadas.

A eliminação das tarifas alfandegárias é o principal motor dessa redução. No caso dos automóveis, por exemplo, a taxa de 35% será zerada ao longo de 15 anos. No entanto, Provazzi adverte que o processo pode levar de dois a três anos para itens complexos como veículos, devido à dependência de cadeias globais de suprimentos.

Medicamentos e tecnologia: Impactos além do consumo imediato

Embora alimentos e veículos atraiam mais atenção, medicamentos e produtos farmacêuticos, incluindo os de uso veterinário, são os principais itens importados da União Europeia no Brasil, representando mais de 8% do total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O acordo deve facilitar o acesso a esses produtos e, potencialmente, reduzir seus custos.

O impacto do acordo se estende aos insumos utilizados na produção. Acesso a tecnologias europeias mais baratas pode diminuir custos para empresas brasileiras e incentivar investimentos em modernização. Leonardo Munhoz, pesquisador da FGV, explica que a eliminação de tarifas deve baratear tecnologias agrícolas, como máquinas, equipamentos, fertilizantes e sistemas de agricultura de precisão, beneficiando os produtores rurais.

Oportunidades e desafios para o agronegócio e a indústria

O agronegócio brasileiro tem um potencial significativo de crescimento com o acordo. A eliminação de tarifas em produtos como calçados, frutas e outros produtos agrícolas brasileiros para a UE, com taxas sendo zeradas em até quatro anos para calçados e imediatamente para uvas, por exemplo, abre novas avenidas de exportação.

Por outro lado, o acordo também exige adaptações. Rodrigo Provazzi alerta que um aumento expressivo nas exportações de produtos do agronegócio pode, teoricamente, elevar os preços no mercado interno devido à redução da oferta. Contudo, ele considera improvável um impacto significativo na inflação geral, prevendo efeitos macroeconômicos pequenos e não relevantes no curto prazo.

Regiane Bressan ressalta que a exportação de produtos com maior valor agregado para a UE pode gerar mais empregos e impulsionar a indústria local. “O maior valor agregado envolvido nessas trocas muda a dinâmica da indústria local”, completa. Leonardo Munhoz acrescenta que os ganhos do acordo para o agronegócio tendem a se espalhar por toda a cadeia produtiva, beneficiando tanto grandes exportadores quanto pequenos e médios produtores que operam através de tradings.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) estima que o acordo crie uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões, com potencial para ampliar as exportações brasileiras em R$ 7 bilhões adicionais. Apesar dos desafios de adaptação, o acordo UE-Mercosul representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento econômico do Brasil.

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