A comunidade científica brasileira manifesta profunda preocupação com a atual política de cortes orçamentários destinada à ciência e tecnologia. A situação é descrita como “triste”, com um cenário onde o investimento deveria aumentar, mas vem sendo drasticamente reduzido.
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) emitiram um comunicado conjunto criticando veementemente a decisão. Elas ressaltam que essas reduções afetam diretamente a formação de profissionais altamente qualificados, além de fragilizar a capacidade de inovação e a soberania tecnológica do Brasil.
O orçamento público é, de fato, um recurso limitado, mas a ciência deveria figurar como uma prioridade estratégica. Em vez disso, os recursos destinados à pesquisa são frequentemente cortados para abrir espaço a outras alocações de caráter político. Um exemplo claro dessa distorção é a aprovação de vultosos valores para emendas parlamentares e para o Fundo Eleitoral.
Conforme informação divulgada pelas entidades científicas, foram aprovados R$ 61 bilhões para emendas parlamentares e quase R$ 5 bilhões do Fundo Eleitoral para financiar campanhas eleitorais neste ano. Esse movimento evidencia uma alarmante falta de visão estratégica para o desenvolvimento do país a longo prazo.
O futuro de uma nação depende da geração de conhecimento
O futuro de qualquer nação está intrinsecamente ligado à sua capacidade de gerar conhecimento, atrair e reter talentos e fomentar a inovação. Nesse contexto, a ciência atua como um pilar estruturante fundamental para todo esse processo evolutivo.
É comum ouvir críticas de que o Brasil perdeu tempo e ficou para trás em relação a outros países. Muitas nações que eram consideradas mais pobres há algumas décadas alcançaram a vanguarda tecnológica antes do Brasil. A análise de tais casos revela um ponto em comum: um projeto de longo prazo e um investimento robusto em ciência e tecnologia.
Coreia do Sul: Um exemplo de investimento em ciência e tecnologia
A Coreia do Sul é frequentemente citada como um exemplo emblemático de sucesso nesse quesito. Na década de 1970, o Brasil possuía uma economia mais industrializada. No entanto, os sul-coreanos conseguiram realizar uma transição acelerada, saindo de uma economia predominantemente agrária para se tornarem uma nação na fronteira tecnológica, superando o Brasil em quase todos os indicadores econômicos e de desenvolvimento.
Esse salto notável foi o resultado direto de um planejamento de longo prazo e de uma política de industrialização consistente, sustentada por investimentos contínuos e significativos em educação e ciência. Essa abordagem demonstra a importância de priorizar a pesquisa para garantir um futuro próspero e competitivo.
Impacto da falta de investimento na inovação brasileira
A redução de verbas para a ciência tem um impacto direto na capacidade do Brasil de inovar e de desenvolver novas tecnologias. Isso pode levar à dependência de outros países, comprometendo a soberania nacional e a competitividade no cenário global.
A formação de pesquisadores e cientistas também é prejudicada. Bolsas de estudo podem ser cortadas, laboratórios podem ter suas atividades suspensas por falta de insumos e a atração de jovens talentos para a área científica se torna cada vez mais difícil, criando um ciclo vicioso de declínio.