União Europeia avança para assinar acordo com Mercosul após Itália sinalizar apoio crucial
A União Europeia está cada vez mais próxima de fechar um acordo histórico de livre comércio com o Mercosul. A confirmação veio após a Itália, que antes demonstrava resistência, sinalizar seu apoio nesta terça-feira (6). Este avanço pode permitir a assinatura do tratado já na próxima semana, um marco nas relações comerciais entre os blocos.
A decisão italiana surge como um desdobramento positivo após a Comissão Europeia apresentar propostas para mitigar as preocupações dos agricultores europeus. A primeira-ministra Giorgia Meloni classificou a iniciativa como um “passo positivo e significativo”, indicando que as preocupações sobre o influxo de commodities mais baratas foram ouvidas.
O acordo, que foi negociado por mais de duas décadas, é visto como essencial para impulsionar as exportações da UE e reduzir a dependência da China, especialmente no acesso a minerais estratégicos. A resistência de países como França, Polônia e Hungria tem sido um obstáculo, mas o apoio da Itália pode ser o fator decisivo.
Conforme informações divulgadas, a Itália votaria a favor do acordo comercial com o Mercosul em uma reunião prevista para esta sexta-feira. A Comissão Europeia busca agora obter a aprovação de uma maioria qualificada de 15 Estados-membros, representando 65% da população da UE, para autorizar a assinatura, possivelmente em 12 de janeiro.
Itália cede após promessas de apoio aos agricultores
A resistência inicial da Itália, juntamente com a França, em dezembro, frustrou as expectativas de uma assinatura imediata. Os dois países expressaram receios de que o acordo pudesse prejudicar seus agricultores com a entrada de produtos como carne bovina e açúcar a preços mais baixos provenientes do Mercosul. No entanto, uma carta da Comissão Europeia, proposta de acelerar o apoio de 45 bilhões de euros aos agricultores, mudou o cenário.
O ministro italiano da Agricultura, Francesco Lollobrigida, destacou que a União Europeia agora propõe aumentar os gastos com a agricultura italiana entre 2028 e 2034, em vez de reduzi-los. Essa mudança nas projeções orçamentárias foi fundamental para obter o apoio italiano.
Batalha diplomática para obter maioria qualificada
A Comissão Europeia, com o suporte de países como Alemanha e Espanha, tem trabalhado intensamente para garantir os votos necessários. A meta é atingir a maioria qualificada de 15 Estados-membros que representem 65% da população da UE. A possibilidade de assinatura já em 12 de janeiro demonstra a urgência e o otimismo da Comissão.
O acordo, considerado o maior da União Europeia em termos de redução de tarifas, visa fortalecer as exportações europeias, que têm enfrentado barreiras impostas pelos Estados Unidos, e diversificar as fontes de suprimento, diminuindo a dependência da China.
Encontro em Bruxelas para discutir demandas dos agricultores
Para atender às preocupações levantadas pelos agricultores, a Comissão Europeia convocou os 27 ministros da Agricultura do bloco para uma reunião em Bruxelas nesta quarta-feira. O objetivo é apresentar garantias sobre o futuro financiamento da Política Agrícola Comum (PAC), incluindo um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros no próximo orçamento da UE.
A proposta de fundir fundos de coesão regional com recursos da PAC no próximo orçamento de sete anos gerou apreensão em países com forte setor agrícola. Além disso, a Comissão analisará os controles de importação, como os níveis máximos permitidos de resíduos de pesticidas, segundo diplomatas da UE.
Apoio decisivo da Itália em meio a objeções
Apesar do avanço, a oposição da Polônia e da Hungria, e a posição ainda crítica da França, tornam o apoio da Itália um fator de peso para a concretização do acordo. Um porta-voz do Executivo da União Europeia afirmou que o bloco está no caminho certo para assinar o acordo em breve, após semanas de discussões intensas com os Estados-membros.
As negociações, que se estendem por 25 anos, enfrentaram diversos desafios, mas o atual momento político e as recentes concessões da Comissão Europeia parecem ter criado um ambiente propício para a conclusão. A expectativa é de que o acordo traga benefícios significativos para a economia europeia e reconfigure o cenário do comércio internacional.