Venezuela e EUA discutem retomada da exportação de petróleo: um novo capítulo para o mercado global?
Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos estão em conversas sobre a possibilidade de retomar a exportação de petróleo bruto venezuelano para o mercado americano. A informação, divulgada pela agência Reuters, cita cinco fontes de diferentes setores, incluindo governos, indústria e transporte marítimo.
A Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, impossibilitados de serem exportados devido ao embargo imposto pelos EUA desde dezembro. Essa restrição faz parte de uma série de pressões americanas sobre o governo de Nicolás Maduro.
Um potencial acordo para a venda do petróleo parado da Venezuela às refinarias dos Estados Unidos poderia redirecionar embarques que anteriormente teriam como destino a China, principal comprador do país sul-americano na última década.
A retomada das exportações para os EUA, se concretizada, aumentaria o volume de petróleo venezuelano negociado com os americanos, um fluxo que hoje é limitado e controlado pela Chevron, sob autorização do governo dos EUA. Conforme a Reuters, a Chevron já exporta entre 100 mil e 150 mil barris diários de petróleo venezuelano para os Estados Unidos.
O Impacto do Embargo e a Busca por Soluções
O embargo americano tem forçado a estatal PDVSA, petroleira venezuelana, a reduzir sua produção por falta de espaço para armazenar o petróleo. Uma das fontes ouvidas pela Reuters alertou que, sem encontrar uma forma de exportar em breve, a Venezuela terá que cortar ainda mais sua produção, o que agrava a crise econômica do país.
Em declarações recentes, o presidente dos EUA, Donald Trump, expressou o desejo de abrir o setor petrolífero venezuelano para grandes companhias americanas. Ele afirmou que essas empresas investiriam bilhões de dólares para consertar a infraestrutura petrolífera do país, que se encontra em péssimo estado, e gerar lucros.
Potencial Petrolífero Venezolano e os Desafios da Produção
As refinarias americanas na Costa do Golfo possuem capacidade para processar os tipos de petróleo pesado extraídos na Venezuela. Antes das sanções, os Estados Unidos importavam cerca de 500 mil barris por dia do país.
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA). No entanto, a produção atual do país é de apenas cerca de 1 milhão de barris por dia, uma fração significativa de seu potencial, devido a problemas de infraestrutura e às sanções internacionais.
A extração do petróleo venezuelano, em grande parte extrapesado, exige tecnologia avançada e investimentos elevados, o que torna a recuperação e o aumento da produção um processo que pode levar anos, conforme análise de Arne Lohmann Rasmussen, analista da consultoria Global Risk Management.
Histórico da Indústria Petrolífera Venezuelana
O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século XX, impulsionando o país a se tornar um dos maiores produtores mundiais e cofundador da Opep em 1960. A nacionalização da indústria em 1976 criou a PDVSA, que se tornou um monopólio estatal.
Durante os governos de Hugo Chávez, grande parte da receita do petróleo foi direcionada a programas sociais, com menor investimento em outros setores da economia. Como resultado, mais de 90% das exportações venezuelanas dependiam do petróleo entre 1998 e 2019. A queda na produção, combinada com as sanções internacionais, agravou a crise econômica e contribuiu para uma inflação galopante, com preços subindo mais de 344.510% em 2019, segundo o Banco Central do país.