Plano de Trump para Petróleo Venezuelano: EUA Assumirão Reservas? Especialistas Céticos com Custos Bilionários e Prazo de Uma Década

Trump quer petróleo da Venezuela: um plano viável ou um sonho distante?

Donald Trump manifestou o desejo de explorar as vastas reservas de petróleo da Venezuela, prometendo que empresas americanas investirão no país sul-americano. A ideia é recuperar a infraestrutura petrolífera, que se encontra em estado crítico, e gerar lucros para a nação.

A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris. No entanto, a produção atual é significativamente baixa em comparação com seu potencial.

A queda na produção se intensificou nas últimas décadas, devido ao controle apertado da estatal PDVSA e à saída de profissionais experientes. Sanções impostas pelos Estados Unidos também contribuíram para o isolamento do país e a escassez de investimentos e peças essenciais.

Especialistas alertam para os enormes desafios envolvidos. A recuperação da infraestrutura petrolífera venezuelana pode custar bilhões de dólares e levar até uma década para resultar em um aumento substancial na produção local de petróleo, conforme informações divulgadas por Callum Macpherson, chefe de commodities do banco Investec.

Infraestrutura Deteriorada: O Principal Obstáculo

O principal desafio para a exploração do petróleo venezuelano reside na infraestrutura severamente deteriorada. Em novembro, a Venezuela produziu aproximadamente 860 mil barris por dia, menos de um terço do volume de dez anos atrás e menos de 1% do consumo mundial. O petróleo venezuelano é do tipo “pesado e ácido”, mais difícil de refinar, mas útil para a produção de diesel e asfalto.

Empresas petrolíferas ocidentais, incluindo a americana Chevron, operam no país, mas suas atividades foram reduzidas devido às sanções americanas. Essas sanções, impostas inicialmente em 2015, miram as exportações de petróleo para restringir o acesso de Nicolás Maduro a recursos econômicos vitais.

Desafios Legais e Políticos Afastam Investidores

Homayoun Falakshahi, analista sênior de commodities da plataforma Kpler, destaca que os principais obstáculos para empresas interessadas em explorar as reservas venezuelanas são de natureza legal e política. Para perfurar poços, seria necessário um acordo com o governo, o que só seria possível após a definição de um sucessor para Maduro.

As empresas teriam que investir bilhões de dólares, apostando na estabilidade de um futuro governo venezuelano. Falakshahi estima que, mesmo com a situação política estabilizada, o processo de recuperação levaria meses, com a necessidade de assinar contratos com o novo governo antes de iniciar a ampliação dos investimentos em infraestrutura.

Investimento Bilionário e Prazo Longo para Retorno

Analistas concordam que seriam necessários dezenas de bilhões de dólares e possivelmente até uma década para restaurar os antigos níveis de produção do país. Neil Shearing, economista-chefe do grupo Capital Economics, sugere que os planos de Trump teriam um impacto limitado na oferta global de petróleo e, consequentemente, nos preços.

Shearing aponta que os preços do petróleo em 2026 provavelmente sofreriam pouca alteração, pois as empresas só investirão com um governo estável, e os projetos demorarão muitos anos para trazer resultados. Ele atribui os problemas a décadas de subinvestimento, má gestão e o alto custo da extração.

Mesmo que a Venezuela retorne à sua produção anterior de cerca de três milhões de barris por dia, ainda ficaria fora dos dez maiores produtores mundiais. Shearing também ressalta a alta produção de países da OPEP+, indicando que o mundo atualmente “não sofre de escassez de petróleo”.

Chevron: A Única Americana Ativa em Meio à Incerteza

A Chevron é a única produtora de petróleo norte-americana ainda ativa na Venezuela. Em 2022, a empresa recebeu uma licença para operar, apesar das sanções dos EUA. Atualmente, a Chevron é responsável por cerca de um quinto da extração de petróleo venezuelana e afirma focar na segurança de seus funcionários e no cumprimento das leis.

Outras grandes empresas petrolíferas permanecem em silêncio sobre os planos de Trump. No entanto, executivos do setor podem estar avaliando internamente a oportunidade. Falakshahi observa que o apetite por investir na Venezuela depende da situação política e dos recursos existentes. Apesar da incerteza, o potencial prêmio pode ser considerado grande demais para ser ignorado.

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