Entenda como o santo celebrado em 31 de dezembro deu nome à tradicional corrida de rua que marca o fim do ano no Brasil
A São Silvestre, prova de rua que celebra sua 100ª edição em São Paulo no dia 31 de dezembro, é muito mais do que uma corrida. Ela carrega uma conexão especial com a história da Igreja Católica e a tradição religiosa no Brasil. Sua realização no último dia do ano civil coincide com a celebração do santo que lhe dá nome: o papa Silvestre I, figura central na organização da igreja no século IV.
Ao longo das décadas, a prova se transformou em um evento esportivo e cultural de grande impacto, reunindo atletas profissionais e amadores de várias partes do mundo. Esta relação entre o esporte e a fé, embora simples na origem, reflete a influência da religião e da cultura na sociedade brasileira.
Antes disputada durante a noite com os corredores carregando tochas, a São Silvestre mudou de horário devido às celebrações de Réveillon, mas manteve sua essência e ligação simbólica com o santo celebrado pela Igreja na mesma data da corrida. Em 2025, a expectativa é de grande público para a edição centenária, que já ampliou o número de participantes.
Conforme informação divulgada pelo g1, a história por trás do nome e da data da corrida remonta ao papa Silvestre, o 33º pontífice romano, e sua importância para a instituição religiosa e cultural.
Origem e significado do nome São Silvestre para a corrida
A ideia da corrida de rua surgiu na França, com provas noturnas realizadas em Paris, nas quais os atletas corriam com tochas. O jornalista Cásper Líbero assistiu a essas provas e trouxe o conceito para o Brasil. Em 1925, deu-se a primeira edição da prova em São Paulo, que recebeu o nome de São Silvestre por ocorrer no dia do santo, 31 de dezembro.
Segundo o advogado e historiador Antônio Carlos de Paula, devido a poucos registros antigos e a cobertura jornalística pouco aprofundada na época, a única referência clara para o nome da corrida é a coincidência com o dia do santo. Os registros mais detalhados foram encontrados em revistas esportivas do Clube Esperia, tradicional clube paulista.
Quem foi Silvestre e sua importância histórica e religiosa
Silvestre I foi o 33º papa, ocupando o cargo entre os anos 314 e 315. Sua liderança coincidiu com o fim da perseguição aos cristãos depois do imperador Constantino decretar a tolerância religiosa em Roma, em 313.
De acordo com o padre Antônio Elcio de Souza, vigário geral da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Silvestre teve um papel fundamental em estruturar a Igreja Católica e fixar suas bases jurídicas e organizacionais após a Liberdade Religiosa. Ele enfrentou desafios de heresias e promoveu a unificação das diversas comunidades cristãs da época, servindo para dinamizar a fé e introduzi-la na sociedade civil.
A ligação entre cultura religiosa, tradição e a corrida São Silvestre no Brasil
A escolha do nome para a corrida tem forte relação com a influência da cultura religiosa na sociedade brasileira. No país, existem três paróquias dedicadas a São Silvestre, fruto da devoção trazida pelos imigrantes italianos. O santo é visto como patrono dos corredores e atletas, junto com São Sebastião.
Além disso, a prova inicialmente era feita à noite, terminando na virada do ano, simbolizando a passagem para o ano novo. Conforme explica o padre Antônio Elcio de Souza, isso revela o entrelaçamento entre a história civil e a história da Igreja, mostrando como tradição e espiritualidade se misturam nas celebrações sociais do Brasil.
A evolução da meia-maratona e as expectativas para a 100ª edição
Desde sua origem, a São Silvestre evoluiu muito. Inicialmente, apenas homens brasileiros podiam participar. Com o tempo, estrangeiros foram aceitos, e as mulheres só passaram a correr em 1975. Hoje, a prova é uma das mais tradicionais do mundo, com percurso de 15 quilômetros pelas ruas de São Paulo, reunindo atletas de elite e amadores.
Para a edição centenária em 2025, a organização ampliou o número de vagas para 55 mil, com cinco mil vagas extras por sorteio. A expectativa é de um recorde de público, mantendo viva a tradição e o vínculo simbólico entre o esporte, a fé e a cultura brasileira.